quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Poética





"Arranco uma unha
Mais uma e serrrão dois
Continuo corrrtando
E a dedo virrr depois"

Se fosse bom de poesia como é de tortura, o Dr. Eric von Schiertzenchild já teria recebido um prêmio Nobel.

Dr. Eric von Schiertzenchild


- No... no...
Disse o Dr. Eric von Schiertzenchild enquanto a mão dela já procurava, do lado esquerdo, o interruptor.
- A noite - prosseguiu com seu carregado sotaque alemão - ser dos rrratos e barrratas... nós no incomodarrrrr.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pequeno Intervalo


Mantinha, ao beijar, os olhos bem abertos. Precisava manter na memória cada reação. Cada espasmo mais violento do prazer que aquele beijo provocava. E viu diversos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Historieta de horror





Abriu a porta e os seus olhos me viram imediatamente. Deus, como aquele olhar insano me fazia bem. Estranhamente, me dava a sensação que tudo ficaria bem. Cabeça baixa e os olhos me encarando por baixo do cabelo que pendia pra frente. Quando eu os vi, meus temores foram embora. Tudo ficaria bem.

-Onde ela tá?
-Foi embora.
-Pra onde?
-Não me disse. Eu fiz bolo, você quer?

Entrou em casa e foi ao quarto dela. Como havia dito, não estava. Voltou e bateu na mesa com uma força que eu não podia imaginar existir em seu corpo tão delgado.


-Quando é que ela volta?
-Eu não sou secretário dela. Não pedi pra marcar na agenda.

Outra batida na mesa. Eu nunca havia falado daquela forma com ele. Ele nunca me gritara antes. Gritaria agora.

-O que você fez com ela?

Aquela sensação de tranqüilidade tinha ido embora por completo. Passaram-se o quê? Um minuto? Um e meio? Não conseguia falar nada.

-Me fala o que você fez com ela. Me fala logo, porra.

Começo a chorar. É desespero o que sinto. Ela estava certa.

-Ela disse que você ia me deixar. Que iria embora com ela. Eu não quero que você vá embora. Não... não vá... eu amo você. Você... eu sei... as coisas vão melhorar, ela foi embora agora... somos só nós agora...
-Onde é que ela tá? Anda, fala.
-Eu a matei. Ela veio pra perto de mim. Disse que você não me amava e eu sabia que era mentira. Mas ela continuou, disse que você gostava dela, que vocês iriam embora. Me deixariam sozinho. E aquele risinho zombeteiro. Nunca mais ela vai mostrar aquele sorrisinho pra ninguém.

As palavras saíam uma após a outra de maneira apressada. Uma sucessão tão rápida quanto rápida foi a maneira como as coisas aconteceram. Ele botou a mão sobre os meus lábios pra que eu me calasse. Respirei.

-Mais devagar agora.
-Eu a segurei pelo cabelo e bati a cabeça na mesa. Ela caiu e eu fiquei em cima dela. Senti vontade de sexo. Arranquei a roupa enquanto ainda estava tonta e comecei a penetrá-la. Ela começou a se debater, não queria me deixar terminar. Botei as mãos em volta do pescoço dela. Disse que ela teria prazer como você nunca tinha dado. Apertava mais e ela diminuía a resistência. Eu diminuía a pressão sobre o pescoço e aumentava o ritmo do quadril contra o dela. Bati com a cabeça dela no chão umas duas ou três vezes. Quando acabei, deixei que o peso do meu corpo ficasse sobre o dela. Ela tinha uma lágrima no olho direito. Eu não queria. Mas não podia deixar você ir com ela. Como é que eu ficaria?

Chorava compulsivamente. Ele me segurou pelo cabelo e levantou minha cabeça. Me forçava a olhar-lhe nos olhos. Aproximou seus lábios aos meus e me deu o mais intenso beijo que senti até hoje.

-Eu não vou lhe deixar nunca. Eu amo você. Você é a coisa mais incrível que já me aconteceu na vida. Onde é que está o corpo? Precisamos levar pra algum lugar onde não o encontrem.

Levantou, mas eu o puxei para mim. Abracei-lhe forte, com urgência, como se agora fôssemos, definitivamente, um.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Uma (muito) curta narrativa

Já havia caminhado até a metade da ponte. Tinha uns 60 e tantos anos e não aguentava mais viver. Tinha se tornado desinteressante. Parou. De lá, mirava o Brasil à sua direita. A casa que o desprezava. Não queria mais pensar. Se jogou.

Teria ficado muito satisfeito se a curta narrativa de sua morte terminasse aí.
Não terminou. Um navio que pesquisava sei-lá-o-quê no rio passou em baixo da ponte exatamente quando deveria atingir a água. Estava olhando o rio, desequilibrou, algo assim, foi o que disse. Mas não conseguiu conviver com o fracasso olhando para si todo o tempo. Eliminou as chances de dar errado. Pegou um revólver, trouxe até a têmpora esquerda (apesar de destro) e atirou.

Na próxima vez, lhe darei, palavra de escritor, a morte que queria.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Estudo sobre a natureza humana.

... e ainda tem aqueles para quem ser canalha é como um dom, uma dádiva natural. Pra mim, não. Eu tenho que me esforçar. Algumas vezes, alcanço um certo êxito.

sábado, 5 de setembro de 2009

Love Story.

Você me ama?
Claro.
Me ama muito?
Pode parar...
O quê?
Eu sei onde você vai chegar. E já tou avisando que pode parar.
Sabe nada.
Você vai me pedir em casamento. E estou dizendo que não faça isso.
Você fica julgando as pessoas, tá vendo? Antecipando o que eu vou falar.
...
Ok. E qual o problema em te pedir em casamento?
Meu amor, você sabe o que eu penso sobre isso.
Não te entendo. A gente acaba de chegar da festa de casamento da sua prima. Você diz que foi tudo lindo. Por que a gente não pode ter o mesmo?
Porque eu não acredito nisso. Você sabe muito bem.
Você disse que ela ia ser muito feliz.
E você queria que eu dissesse o quê, Marco? Parabéns, prima. Você vai ser relativamente feliz pelos próximos 3 anos, quando vai chegar uma estagiária nova na empresa, ele vai começar a comer ela e você vai ficar mal pra caralho. É isso que tu queria que eu dissesse?
Vânia... já tem 4 anos que a gente tá junto e eu nunca comi estagiária nenhuma na empresa.
Eu não disse isso, meu bem.
Não. Mas tá dizendo que se a gente casar vai acontecer.
Não disse isso também. Eu só acho que ela pode ser feliz no casamento dela. Mas casamento não dá pra mim.
E pra mim, Vânia? Já pensou que pode dar pra mim?
Já. E não posso querer que você encare as coisas de modo diferente por minha causa.
Eu quero me casar.
Baby, eu não quero. Se essa é a única maneira de continuar numa relação pra você, você vai ter que ir embora.
É isso mesmo que você quer?
...